segunda-feira, 7 de outubro de 2019

(191) Saber ver...(Vila Chã)

"Não consigo entender como é que alguém consegue fechar a janela sem observar os tons do céu...
Não consigo entender como existem pessoas que se impedem de ver o fim de tarde e as nuvens rosadas....
Não consigo entender porque não aproveitam essa grande paz. Aquela paz que chega de mansinho pela janela aberta e se instala como se fosse de casa há muito tempo...
Não consigo entender porque impedem a chuva de entrar. Será que há coisa mais bonita? A dança dos pingos, os raios iluminando a vida, os trovões mantendo o alerta de que o tempo passa sem que percebamos. E é aí, nesse momento, que eu já não tenho mais dúvidas: as pessoas desaprenderam de ver..."

domingo, 11 de agosto de 2019

(190) Fuga... (Coimbra)

“Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele.”
(Jean de La Fontaine)

“Só aceitarás uma verdade quando primeiro a negares do fundo da alma e não fugires do teu próprio destino.
Se queres garantir a tua própria liberdade, deves preservar-te da opressão do teu algoz e libertares-te da solidão que te serve de companhia. Tem que ser com as tuas mãos que te libertas das grilhetas para fugires desse teu mundo tão hostil. E se pensas que é errado sonhar demais e esquecer a realidade é porque ouves quem não deves. Ouve a música da vida e deixa-te fascinar enquanto vives, pensas, sonhas...cada dia mais…num lugar onde possas encontrar paz e fugir dos teus pensamentos...”

(189) A vida corre veloz... (MIranda do Corvo)

“Hoje contei os meus anos, os que já vivi ! 
De forma serena reflecti:
Terei menos tempo para viver do que já tive até agora, tenho muito mais passado do que futuro certamente .
Se me assustei ? 
Claro que sim, quero tanto viver, viver muito ...
Recuei no tempo...
E agora mais do que nunca, não tenho tempo para lidar com mediocridades. Já não me inquieto com coisa alguma, com pessoas mal formadas e invejosas que cobiçam a sorte e desejam o azar. Já não há paciência. 
Já não tenho tempo para aturar quem não quero, de gente apenas rotulada pela beleza e pelo corpo bem definido.
Pois o tempo começa a fugir...
Hoje apenas quero a essência das pessoas, pois a minha alma tem pressa de se encontrar...
Quero caminhar com pessoas de verdade.
E tudo isto porquê? 
Porque a vida corre veloz, não há tempo para o meio termo.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

(188) Liberta-te... (Tentúgal)

Liberdade é voar por espaços que vão ao encontro dos nossos sonhos. Talvez tu sejas livre mas não sabes usar a liberdade e mesmo com a gaiola aberta decides não sair, não voar... 
Presta atenção, pois há sempre alguém que te mostra que voar é a melhor sensação de vida que existe. Voa bem alto, para longe, bem baixo, onde e quando quiseres, sempre que puderes!!!
Voa sem medo, voa com o coração livre, segue o voo de quem te quer bem e segue as correntes de ar quente que te vão levar do ocidente ao oriente e verás um mundo que não se confina á tua gaiola...
E quando decidires voar, poderás pousar num novo ninho e recomeçar...

segunda-feira, 17 de junho de 2019

(187) Cama de trevos... (Coimbra)

Sorte é quando nos sentimos completos com outra pessoa mesmo com as diferenças. É ter a sensação de que se encontrou a alma gêmea!
Sorte é amar! Amar e ser correspondido, amar e merecer ser amado , é sentir a presença, mesmo quando se está longe numa distância insuportável.
Alguma vez já te sentiste infeliz e te deu aquela vontade de correr, deixar tudo de lado e fugir pra longe, mesmo sem rumo? Cuidado. Pensa bem. Nem sempre o trevo corresponde à tua sorte. Antes de saires por ai, observa melhor o caminho que pisas e o que acontece ao teu redor. Quem sabe, a felicidade que tanto procuras pode estar bem no meio das ervas do caminho, enquanto procuras o trevo de quatro folhas com vontade de sair por ai sem rumo.
Sorte é amar alguém e ser amado, é ter a certeza de que encontraste o teu outro lado. 
Sorte é ter alguém pra te dizer: "Tu, és o meu trevo de quatro folhas.”

terça-feira, 13 de novembro de 2018

(186) Ponto de Vista...(Coimbra)

Ponto de vista ou vista de um ponto?
Como é que vês o mundo?
Tudo tem o seu ponto de vista que só os teus olhos podem ver, mas o importante é a experiência de transmitir o que vês.
Nem tudo é o que parece ser e muda de acordo com o ponto de vista. Há coisas que a uma certa distância nos dá uma visão diferente daquela que realmente é. Qualquer conclusão sobre aquilo que vês é tirada em função do ponto de vista de onde observas. Assim, toda a verdade pode ser apenas uma parte da verdade maior e a verdade maior é a de todos os pontos de vista juntos. Então se queres chegar à verdade maior, observa com atenção a situação na sua plenitude e não só a verdade que queres ver!
Como dizia Henry Ford:
”Se há algum segredo de sucesso, consiste ele na habilidade de apreender o ponto de vista da outra pessoa e ver as coisas tão bem pelo ângulo dela como pelo seu.”

domingo, 3 de junho de 2018

(185) Uns Olhos... (Coimbra)

Tudo olha!
Tudo é e aguarda em silenciosa espera. A espera sem julgamento, em dádiva expectante.
A expectativa do encontro onde a afinidade e o reconhecimento se realizam.
Olhos que te olham procuram os teus em toda a parte. Não as janelas com que vês o mundo, mas aqueles com que o percebes e o incorporas.
Os olhos que alcançam a outra margem, a outra perspetiva, o não-óbvio, o não-dito, o mediato, o além… - a Essência!
Quando te adentras e despes o redor do seu papel efémero de aparência e frágil superficialidade, o chip fotográfico chega à lente mais dotada do teu sentir. Os sentidos fundem-se e mesclam-se como as cores de uma opala. É aí nesse instante que os olhos se olham.
Olhemos movidos pela vontade curiosa do outro que é, sem a arrogância do ego que nos habita, numa assumida presença de igual diferença. Poderemos, assim, tocar a manifestação da admiração, da surpresa e tornar possível o encantamento e o impulso de buscá-lo. Olhar para acolher é ver algo do que somos no que nos olha, seja árvore, folha, asa ou flor de giesta. 
Todo o lugar é mundo. Todo o tempo, vivência. Toda a consciência, crescimento.
Assim, a viagem da vida que passa perpassa, também, a ligação a um exterior que escolhemos reconhecer como existência válida que nos afeta dentro, que percorre o labirinto das sensibilidades até onde o fôlego conseguir sorver a latência que povoa cada instante e nos procura os olhos do coração para passar a Ser, para nós, algo que não cabe numa frase começada por “teoricamente”…
Olhemos vendo, pois, para cima, para baixo, para fora e, se fecharmos os olhos, que seja para unificar, num mesmo véu de virtude, a Vida.
Olhemos com verdadeira humildade e jamais nos sentiremos sós, pois encontraremos um número infinito de olhos que como nós, esperam nos bastidores do estarmos aqui.
Afinal, no fundo dos olhos de um gato, um Deus se expressa!