quinta-feira, 14 de setembro de 2017

(171) Lágrimas de uma rosa...(???)

"Quem nunca sentiu o prazer do cheiro das rosas? Ou o seu aveludado toque e o sorriso de quem as recebe? Mas cuidado, porque elas também têm espinhos...
Não as machuques porque reagem e choram. Sim, as rosas também choram. E se achas que as gotículas de pura água, são fruto do orvalho que as tenta refrescar, é puro engano. 
Sim, as rosas choram mesmo. Choram de solidão, choram de dor dos seus próprios espinhos da paixão, choram quando lhe cortam o caule como o pássaro que perdeu a liberdade e as gotas de água são lágrimas de dor por cada pétala perdida, que jaz irremediavelmente putrefacta no chão gélido. 
Se lhe cortares a ligação á vida, ainda que seja para alimentar uma paixão, acaricia-a com carinho e se ouvires o seu choro pungente, não lhe limpes as lágrimas, pois serão elas que a manterão viva por mais uns dias, até que todas as pétalas percam a vitalidade e se despenhem por sobre a mesa num ritual fúnebre, de onde serão levadas como lixo. Por isso, as rosas choram...mesmo que haja quem não ouça os seus gemidos..."

domingo, 30 de julho de 2017

(170) A Diferença I... (Barcelona)

“O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.”
(Augusto Cury)

“Nunca esqueças que a maior parte da intensidade de uma amizade, suporta-se no respeito pela diferença e não apenas em apreciares as semelhanças. Sê um amante dos opostos. Se fosse para te apaixonares por uma pessoa em tudo parecida contigo, escolherias o espelho. Durante o seu desenvolvimento, a realidade íntima do mundo e do homem é sempre a mesma vontade omnipresente. A própria história é uma repetição do mesmo facto com diferentes aspectos. 
Muitas vezes tentas mudar a forma de ser de uma pessoa, apenas porque pensas que assim, estás a dar-lhe o melhor e esqueces que se te acercaste dessa pessoa, foi porque algo de distinto nela te tocou. Tem presente que nunca acharás ninguém no Mundo inteiro igual a ti. Às vezes parecido, mas nunca igual...
A ligação entre duas pessoas não é mais que a complementaridade de carências que, numa determinada conjuntura da vida, parecem fundamentais para a prossecução dos seus ideais.” 

“Na essência somos iguais, nas diferenças respeitamo-nos.”
(Santo Agostinho)

domingo, 30 de abril de 2017

(169) A Diferença...(Barcelona)

“Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjectividade.”
(Fernando Pessoa)

“E é nessa subjectividade que devemos acreditar nas pessoas...naquelas que são diferentes porque possuem algo mais...naquelas que, às vezes, se confundem com anjos e outras com demónios...naquelas que existem nas nossas vidas e enchem o nosso espaço com pequenas alegrias e grandes atitudes...naquelas que nos olham de frente quando precisam ser verdadeiras, nos elogiam e pedem desculpa com a simplicidade de uma criança...é nessa subjectividade que devemos acreditar nas pessoas...
A diferença entre a maioria dos homens, reside no facto de que entre eles as 'paredes divisórias' são transparentes. Nos outros, elas são muitas vezes tão espessas, que lhes turvam a visão e por isso, eles pensam que não há nada do outro lado. Quem nada vê não tem segurança, e é por isso que a diferença entre o juízo que uns fazem em relação aos outros, os torna uma fraude. Não devemos ter medo das novas ideias! Elas podem significar a diferença entre o triunfo e o fracasso. A única diferença é que alguns admitem isso e outros negam…”

Como dizia Salvador Dali:
“A minha única diferença em relação a um homem louco é que eu não sou louco!”

sábado, 21 de janeiro de 2017

(168) Selfie...da alma (Fátima)

“Procurava-o. 
Um plácido silêncio adormece, nesta tarde. O intenso frio do Inverno contrai-se na placidez das horas do relógio. Um sino, aqui bem perto, traz-me as minhas lembranças e devaneios latentes, mas ignorados, avisando-me que está na hora de recolher. Hoje, tenho caminhado sem batuta, sem maestro, sem notas musicais, sem sentir o frio cortante. As minhas janelas continuam abertas. Mas tenho estilhaços de vidraças quebradas que o gélido frio aproveita. No recanto de meu refúgio, resta-me beber a geada da noite para humedecer as palavras mudas. 
Encontrei-o…”

domingo, 14 de agosto de 2016

(167) Fim de tarde...(Praia Sra Luz)

"Todos os dias despertam para morrer ao final da tarde...mesmo que este sol de fim de tarde pouco aqueça. É que em tudo sopra uma saudade fria, de uma distância insuportável.
E fico tentando lembrar-me do que eu sonhei todo dia, da saudade dos meus amigos da adolescência, das escolas onde estudei, dos professores que tive e das pessoas que eu amei muito e que partiram...
E aqui estou eternamente á procura do lado bom da situação...
Quando não temos nada na cabeça a encher-nos a existência, a preocupação passa a ser existencial. Não importa de onde viemos, nem para onde vamos, mas é primordial descobrir quem somos...perante esta distância insuportável..."

sábado, 11 de junho de 2016

(166) Regresso...(Aveiro)

“Voltei! Aqui me têm de regresso e suplicante vos peço que respeitem a minha condição. Voltei pra rever os amigos que um dia deixei a chorar de alegria, por verem as minhas crias se soltarem para o vento.
Voltei, sabendo que andei distante, sei que essa gente que me viu partir vai agora esperar pacientemente que volte a dar vida e perpetuar o voo elegante da minha espécie.
Voltei! Voltei novamente, para o meu ninho que me esperava, como o emigrante que volta todos os Agostos para rever as suas gentes.
Parti daqui tão contente. Por que razão havia de voltar? Apenas porque nos meus voos distantes senti saudade do meu caminho, da ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração, de todos os que me sorriem para o alto do meu castelo.
Vim rever os meus rios, os meus montes, as cascatas e sonhar com novas serenatas e abraçar os meus amigos leais.
Voltei! Voltei para dar vida. Façam silêncio preciso concentrar-me…”

sábado, 2 de abril de 2016

(165) Raízes...(Aguas Santas)

“Quando as tuas energias estiverem todas concentradas nas raízes, nascerão novas folhas, novos ramos e começarás a mover-te para cima, em direcção às estrelas, tal como a árvore que quer acariciar os céus precisa de ter raízes tão profundas, que consigam tocar os infernos. 
Por isso, deverás ter raízes fortes e não âncoras ou amarras. Deverás respeitar as tuas raízes, mas não permitir que elas te enraízem. 
A nossa vida é suportada em raízes e quando perdemos uma, enfraquecemos, mas temos que alimentar as outras que restarem, porque a raiz apenas deverá alimentar, fortalecer, impelir-te para o Universo, contrariamente à âncora que te prende e te imobiliza. E se na miragem dessa árvore da vida, vires a folhagem amarelecer, não penses em criticar a árvore, procura primeiro ver os problemas nas raízes, porque muitas vezes precisamos perder o chão para encontrarmos as nossas próprias raízes.
Lembra-te de onde vieste, lembra-te de quem és. Mas, acima de tudo, luta por quem queres ser. E nunca esqueças: não é porque temos raízes que não podemos ter asas…ter raízes é imprescindível, difícil é encontrar solo fértil para que vinguem...”