domingo, 3 de junho de 2018

(185) Uns Olhos... (Coimbra)

Tudo olha!
Tudo é e aguarda em silenciosa espera. A espera sem julgamento, em dádiva expectante.
A expectativa do encontro onde a afinidade e o reconhecimento se realizam.
Olhos que te olham procuram os teus em toda a parte. Não as janelas com que vês o mundo, mas aqueles com que o percebes e o incorporas.
Os olhos que alcançam a outra margem, a outra perspetiva, o não-óbvio, o não-dito, o mediato, o além… - a Essência!
Quando te adentras e despes o redor do seu papel efémero de aparência e frágil superficialidade, o chip fotográfico chega à lente mais dotada do teu sentir. Os sentidos fundem-se e mesclam-se como as cores de uma opala. É aí nesse instante que os olhos se olham.
Olhemos movidos pela vontade curiosa do outro que é, sem a arrogância do ego que nos habita, numa assumida presença de igual diferença. Poderemos, assim, tocar a manifestação da admiração, da surpresa e tornar possível o encantamento e o impulso de buscá-lo. Olhar para acolher é ver algo do que somos no que nos olha, seja árvore, folha, asa ou flor de giesta. 
Todo o lugar é mundo. Todo o tempo, vivência. Toda a consciência, crescimento.
Assim, a viagem da vida que passa perpassa, também, a ligação a um exterior que escolhemos reconhecer como existência válida que nos afeta dentro, que percorre o labirinto das sensibilidades até onde o fôlego conseguir sorver a latência que povoa cada instante e nos procura os olhos do coração para passar a Ser, para nós, algo que não cabe numa frase começada por “teoricamente”…
Olhemos vendo, pois, para cima, para baixo, para fora e, se fecharmos os olhos, que seja para unificar, num mesmo véu de virtude, a Vida.
Olhemos com verdadeira humildade e jamais nos sentiremos sós, pois encontraremos um número infinito de olhos que como nós, esperam nos bastidores do estarmos aqui.
Afinal, no fundo dos olhos de um gato, um Deus se expressa!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

(184) Mar de Rosas...(Tentúgal)

“Queria colocar um belo mar de rosas vermelhas e emergir no despertar do interior; e trouxe as rosas vermelhas que exalaram perfume, para minimizar a tua tristeza dilacerante que rompia dos lábios no teu sorriso.
Quis Cobrir-te com as pétalas e contemplar a tua serena beleza...a tua suavidade e o teu sorriso que enobrece o coração; eu só não sabia era que as rosas têm espinhos emocionais, que tornam a vida dorida...mas perfumada também...e as tuas intimidades antecedem um querer meu”

quarta-feira, 9 de maio de 2018

(183) Protecção...(Coimbra)

“Ter uma mão que protege é importante, mas há tantas coisas na vida que apenas se aprendem com o esforço próprio. Apenas crescemos quando somos capazes de superar as nossas dificuldades.
Protecção é uma sensação que se sente, conhece e ama...é algo que esperamos, mas que nos surpreende quando chega... é algo único. É bom sentir que nos protegem de raios e tempestades. É maravilhoso contar com um colo que nos acolhe e que no final do dia nos traga a certeza de que há uns braços fortes e abertos que nos esperam incansavelmente. E tantas vezes nem queremos muito, apenas uma mão que nos segure."

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

(182) Não esperes...(Miranda Corvo)

“NÃO ESPERES braços abertos, abre os teus. NÃO ESPERES por sorrisos, sorri. NÃO ESPERES pela palavra amiga, sê tu a pronunciá-la. NÃO ESPERES por agradecimentos, agradece tu, a todos... A espera desmotiva, decepciona e não permite que se olhe para frente...então não esperes, faz acontecer…
Não faças dos teus problemas um escudo para a vida que te aceita de braços abertos, não excluas o que te faz bem, por não aceitares a tempestade que na verdade é apenas uma nuvem escura passageira.
No alto da colina, feridas expostas, mas de braços abertos. Foi exactamente ali que decidi esquecer as minhas feridas e tentar cicatrizar as Dele…
Eu não tenho as mãos tão frias, nem tantas cicatrizes, nem tantas lembranças, nem tantas almas para cuidar…
Eu só não sabia que quem está sempre de braços abertos corre o risco de ser crucificado…”

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

(181) Mãos calejadas...(Miranda do Corvo)

“Porque não dar as mãos? Elas estão sujas ou calejadas? 
Não esqueças, que quando as mãos estiverem sujas e calejadas pelas agruras da vida, é porque semearam e cuidaram de muitos frutos e o fruto só é bom, quando tratamos bem o terreno, quando preparamos sabiamente os nossos corações para receber o melhor da vida. Se assim fizeres, ainda que o solo seja árido, íngreme e o sol sufocante, mesmo assim, a boa colheita chegará e o tempo da recompensa é certo. Trabalho, amor e fé fazem o bem brotar das mãos sujas e calejadas!
Mas nunca esqueças, as mãos que hoje te aplaudem, um dia poderão ser as mesmas que te empurrarão para o precipício. Depende das mãos...”

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

(180) Mãos abertas...(Miranda do Corvo)

“Estende as mãos, não para implorar, mas para oferecer o que te vai na alma. Estende as mãos gastas pelas agruras da vida, mas sempre abertas para dares o que de melhor há em ti. Gratidão, amizade, saudade, paz. Mãos que acolhem, não afastam. Mãos que acalmam, não agridem. Mãos abertas na mais sincera expressão de gratidão. Uma mão aberta, nunca aponta um dedo...nunca trai...” 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

(179) Pormenores...(Foz-Porto)

“Tenta perceber o valor que há em todos os pormenores da tua vida. Não sabes o porquê de estar aqui e de tudo o que te acontece? Talvez porque te focas nas grandes coisas e nem reparas naquele pormenor que pode ser o que há de mais importante. Sabes, a vida está nesses pormenores. Nos mais pequenos carinhos e gestos de desvelo. São esses que passam imperceptíveis, como se tudo acontecesse lá longe, onde a nossa vista não alcança, porque nos focamos naqueles breves momentos, que saltam aos nossos olhos.
Mas há mais, muito mais. A qualidade do que é simples, a nobreza da ternura alheia, anónima , descomprometida. Está no tal pormenor que nos escapa e que não vislumbramos, talvez porque apenas vimos o que está á frente dos nossos olhos. E é essa vida que tanto perseguimos e que nos escorre nas curvas da face, no toque que tememos, no olhar que desviamos, no afago que negamos, no abraço dado sem braço, que dura um segundo e devia durar a vida toda...
Somos uma mão cheia de indecisões, pormenores e loucuras. Somos feitos de olhares premeditados e não sabemos ler nas entrelinhas do destino. Buscamos e criamos os nossos sonhos, em cada intervalo de um olhar que não vê lá longe. Olhamos o que está ao alcance e esquecemos os PORMENORES...”