sábado, 11 de junho de 2016

(166) Regresso...(Aveiro)

“Voltei! Aqui me têm de regresso e suplicante vos peço que respeitem a minha condição. Voltei pra rever os amigos que um dia deixei a chorar de alegria, por verem as minhas crias se soltarem para o vento.
Voltei, sabendo que andei distante, sei que essa gente que me viu partir vai agora esperar pacientemente que volte a dar vida e perpetuar o voo elegante da minha espécie.
Voltei! Voltei novamente, para o meu ninho que me esperava, como o emigrante que volta todos os Agostos para rever as suas gentes.
Parti daqui tão contente. Por que razão havia de voltar? Apenas porque nos meus voos distantes senti saudade do meu caminho, da ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração, de todos os que me sorriem para o alto do meu castelo.
Vim rever os meus rios, os meus montes, as cascatas e sonhar com novas serenatas e abraçar os meus amigos leais.
Voltei! Voltei para dar vida. Façam silêncio preciso concentrar-me…”

sábado, 2 de abril de 2016

(165) Raízes...(Aguas Santas)

“Quando as tuas energias estiverem todas concentradas nas raízes, nascerão novas folhas, novos ramos e começarás a mover-te para cima, em direcção às estrelas, tal como a árvore que quer acariciar os céus precisa de ter raízes tão profundas, que consigam tocar os infernos. 
Por isso, deverás ter raízes fortes e não âncoras ou amarras. Deverás respeitar as tuas raízes, mas não permitir que elas te enraízem. 
A nossa vida é suportada em raízes e quando perdemos uma, enfraquecemos, mas temos que alimentar as outras que restarem, porque a raiz apenas deverá alimentar, fortalecer, impelir-te para o Universo, contrariamente à âncora que te prende e te imobiliza. E se na miragem dessa árvore da vida, vires a folhagem amarelecer, não penses em criticar a árvore, procura primeiro ver os problemas nas raízes, porque muitas vezes precisamos perder o chão para encontrarmos as nossas próprias raízes.
Lembra-te de onde vieste, lembra-te de quem és. Mas, acima de tudo, luta por quem queres ser. E nunca esqueças: não é porque temos raízes que não podemos ter asas…ter raízes é imprescindível, difícil é encontrar solo fértil para que vinguem...”

sábado, 26 de setembro de 2015

(164) Bola de sabão...(Barcelona)

“Como é notável a leveza de uma bola de sabão. Pode voar, flutuar no ar e chegar perto das nuvens. A vida é uma bola de sabão; o dinheiro é uma bola de sabão; o sucesso é uma bola de sabão. E os reflexos sobre a bola de sabão são o mundo em que vivemos: tão belo, tão formoso, tão colorido, tão leve, tão alegre, tão suave…mas não passa de uma esfera oca que dura apenas um breve instante, até que alguém o destrua com um sopro. 
E no espaço, a bola de sabão sente o aroma das flores e das folhas, e voa sem rumo certo, sem saber aonde ir, indiferente aos ruídos do ar. É como se fosse um corpo sem alma, sem espírito, um coração sem pulsar, sem batimentos como o meu, uma vida sem amor…e voa levemente para lugares diferentes, encantando pessoas e fazendo crianças sorrirem. E sem medo da altura ou da imensidão do oceano, dança sobre ele e caminha livremente no céu, com vista para uma árvore, fugindo de umas mãos que a tentam alcançar, para não deixar de existir…” 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

(163) Vida colorida...(Barcelona)

“Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e se podem aprender a odiar, elas também podem ser ensinadas a amar.”
(Nelson Mandela)

“Estas sábias palavras deveriam servir para que a humanidade entendesse que é a hora de virar a página e com coragem, pegar nos lápis coloridos, numa imaculada folha de papel branca e colorir a vida com as cores do arco-íris. 
Fica o meu desafio: sem hesitar, usa os lápis mais coloridos e pinta uma nova paisagem na tua vida. Urge que os teus sonhos sejam mais reais do que os teus medos e conseguirás colorir um quadro sem pressa, onde consigas resgatar o brilho do olhar e deixar que transborde tudo o que de mais belo tens dentro de ti. A vida é bela e hoje pode ser ainda mais que ontem...”


(162) Há sempre um tempo...(Lagos)

“Quando se voa sem destino, nenhum vento é desfavorável. Qualquer direcção serve. Acredito mesmo, que é sempre preciso um golpe de loucura e paixão para se construir um destino. E nesse voo rumo ao destino e ao sonho, afastam-se as nuvens para dar lugar a um céu azul, enquanto a lua se mantém ao longe...calada no seu sono deleitada, ouvindo o som da harpa do sonho, enquanto espera o seu próprio tempo de brilhar…quando o sol for dormir e sonhar com as estrelas…há sempre UM TEMPO.”

sexta-feira, 3 de abril de 2015

(161) Um dia de cada vez...(Foz)

"Sexta-feira Santa...sem planos, procuro o lugar de sempre, a esplanada de sempre, aquele mar que nunca é o mesmo e as gaivotas que apenas parecem as mesmas. Tento enlevar-me no silêncio do seu voo deslizante, para tentar fugir ao bulicio das pessoas que procuram desenfreadamente um lugar ao sol, mas esse silêncio é uma utopia. Nunca fui de multidões e muito menos irrequietas. Evito marasmos e cultivo a tranquilidade, a paciência sempre foi uma arma e a ansiedade uma coisa irreal. Sei onde estás, nào sei onde estou, e consigo imaginar um sorriso que não vejo porque o passado é algo que lembro quando necessário, mas o presente é o meu foco e o futuro é certamente o meu caminho que desconheço. Sempre tive a certeza de que viver é uma tarefa, e deixar de exercê-la é perda de tempo. Então eu simplesmente vivo...um dia após o outro, um passo de cada vez, porque há distâncias insuportáveis..."

sábado, 7 de março de 2015

(160) A Teia da Vida...(Soalhães)

“A vida é uma grande teia e todos nós ao longo dos dias, em algum momento, somos levados a conferir os pontos de ligação de cada fio. E cada ponto, é a chave entre os nossos pensamentos, desejos, e ansiedades. As chaves que abrem todas as portas deste labirinto que é a teia da vida. E só com muito trabalho interior ligamos pontos a pontos, e assim formamos a teia numa escala interminável. Somos os construtores desta teia, que tentamos reforçar com responsabilidade, mantendo os elos dessa complexa estrutura, física e espiritual unida e simetricamente urdida. Tornámo-nos além de construtores, bastiões e canalizadores dessas forças, que nos unem a um plano metafísico superior. E se esta teia passa por constantes abalos, é porque a nossa vida esta constantemente a vivenciar colapsos nas suas estruturas, causadas por desvios de conduta e falta de amor incondicional. Cada fio da teia, é parte integrante de um trabalho de interiorização que passa por manter essas delicadas estruturas espirituais e universais em equilíbrio. Cuidemos da nossa teia…”